VOLTANDO AO FIM DE TUDO

É quase unanimidade, ao conversar com amigos: os homens pensam mais simples questões da vida.

No meu modo de ver, uma cadeira e um refrigerador são equivalentes para receber um prêmio por decoração de ambientes. Para mim, a tarefa de Hércules é comprar a casa. Uma vez que a transação está finalizada e a casa comprada, estou preparado para me mudar e descansar.

Mas para a maioria das mulheres não é assim. Assim que a tinta das assinaturas secam nas escrituras, ela está se mudando e remodelando. Me pergunto se ela herdou esse traço de seu Pai, o Pai celestial. Acontece que ela vê uma casa da mesma maneira como Deus vê uma vida.

Deus gosta de decorar. Deus tem que decorar. Deixe-o viver por tempo suficiente em um coração, e esse coração começará a mudar.

Os retratos de feridas serão substituídos por paisagens de graça. A paredes de ira serão demolidas e os alicerces fracos restaurados.

Deus não pode deixar uma vida sem mudar, assim como uma mãe não pode deixar sem tocar a lágrima de seu filho.

Não é suficiente para Deus ser seu dono; Ele quer mudá-lo.

Onde você e eu nos daríamos por satisfeitos com uma poltrona e um refrigerador, Ele recusa se conformar com qualquer moradia que não seja um palácio. É sua casa. Não há gastos a serem regulados. Não há atalhos a tomar.

« E qual a suprema grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder» (Efésios 1.19, PJFA).

 

Isso talvez explique algo do desconforto em sua vida. A remodelação do coração nem sempre é agradável. Não objetamos quando o Carpinteiro acrescenta umas poucas prateleiras, mas Ele adora demolir a ala esquerda por inteiro. Ele tem aspirações muito altas para você. Deus vislumbra uma restauração completa. Não retrocederá até que tenha concluído. Não terminará até que tenhamos sido «feitos conformes à imagem de seu Filho: Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.  (Romanos 8.29).

 

Seu Criador está refazendo você à imagem de Cristo. Quer que você seja como Jesus. Este é o desejo de Deus e o tema deste livro.

 

UM CORAÇÃO COMO O SEU

Que aconteceria se por um dia Jesus se convertesse em você?

Que tal se por vinte e quatro horas Jesus se levantasse de sua cama, andasse com seus sapatos, vivesse em sua casa, e seguisse seu horário? Seu chefe seria o chefe dEle, sua mãe seria a mãe Dele, suas dores seriam as dEle? Com uma exceção, nada em sua vida muda. Sua saúde não muda. Suas circunstâncias não mudam. Seu horário não se altera. Seus problemas não se  resolvem. Só ocorre uma mudança.

 

Que tal se, por um dia e uma noite, Jesus vivesse sua vida com o coração dEle? O coração que você tem no peito tem o dia livre e sua vida é dirigida pelo coração de Cristo. As prioridades dEle governam suas ações. As paixões dEle impulsionam suas decisões. O amor de Cristo dirige sua conduta.

Como seria? As pessoas notariam alguma mudança? Sua família, veria algo novo? Seus colegas de trabalho, perceberiam alguma diferença? Que tal os menos afortunados? os trataria da

mesma maneira? Que tal seus amigos? Detectariam mais alegria?

Que tal seus inimigos? Receberiam mais misericórdia do coração de Cristo que do seu?

 

E você? Como se sentiria? O que essa mudança alteraria no seu nível de tensão? Em seu aspecto? Em suas explosões temperamentais? Dormiria melhor? Veria o pôr-do-sol diferente? A

morte? Os impostos? Necessitaria de menos aspirinas e calmantes?

Que tal sua reação às demoras no trânsito? (Isso dói, não?)

Temeria ainda o que hoje teme? Melhor ainda, continuaria fazendo o que está fazendo?

Faria o que você planejou pelas próximas vinte e quatro horas? Detenha-se e pense em seu horário. Obrigações, encontros, saídas, compromissos. Com Jesus apoderando-se de seu coração, mudaria alguma coisa?

Continue pensando nisto por um momento.

Ajuste a lente da sua imaginação até que tenha um quadro claro de Jesus guiando sua vida, então aperte o obturador e fotografe a imagem.

 

O que você vê é o que Deus quer. Ele quer que você pense e atue como Jesus Cristo: Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus. (Filipenses 2.5).

 

O plano de Deus não é nada menos que um novo coração. Se você fosse um carro, Deus iria querer controlar seu motor. Se fosse um computador, Deus controlaria os programas e o disco rígido.

Se fosse um avião, tomaria assento na cabine de comando.

Mas você é uma pessoa, então Deus quer mudar seu coração.

 

A Bíblia diz:

“E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem [que é ter um novo coração] , que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4.23–24 ACF).

 

Deus quer que você seja como Jesus. Quer que tenha um coração como o Dele.

Vou correr um risco. É perigoso resumir em uma só declaração verdades grandiosas, mas vou tentar fazê-lo. Se uma frase ou duas pudessem captar o desejo de Deus para cada um de nós, diria o seguinte:

Deus o ama tal como você é, mas se recusa a deixá-lo assim.

Ele quer que você seja simplesmente como Jesus.

 

Deus o ama tal como você é. Se pensa que Seu amor por você seria maior, se a sua fé fosse maior, está enganado. Se pensa que Seu amor seria mais profundo se os seus pensamentos o

fossem, equivoca-se de novo. Não confunda o amor de Deus com o carinho das pessoas. O carinho das pessoas em geral aumenta com o desempenho e diminui com os enganos. Mas não é assim com o amor de Deus. Deus o ama exatamente como você é. Deus ama você tal como você é, porém se recusa a deixá-lo assim.

Quando o Fernando tinha aproximadamente um ano, eu preparei um prato de frutas para ele delicioso, mas quando me Vieri para chamar ele, percebi que estava com a boca cheia. Quando consegui abrir a boce dele vi papéis que ele catou pelo chão. Onde eu queria pôr algo saboroso, ela tinha colocado sujeira.

O amei com sua boca suja? É claro que sim. Era ele menos filho minha porque sua boca estava cheia de areia? Lógico que não.

Eu a deixaria com areia na sua boca? Nem pensar. Eu o amava exatamente como ele era, porém me recusei a deixá-la como estava.

A levei até uma torneira e lhe lavei a boca. Por quê? Porque o amava.

Deus faz o mesmo conosco. Nos carrega até a fonte. “Cuspa a terra, meu bem”, nosso Pai nos insta. “Tenho coisa melhor para você”.

Então nos limpa de nossa imundícia: imoralidade, falta de honra, prejuízos, amargura, avareza.

 

Não gostamos que nos limpe; algumas vezes preferimos a terra em vez do sorvete. “Posso comer terra se quiser!”, proclamamos e nos acabrunhamos. O que é verdade; podemos. Mas se o fizermos, nós é que sairemos perdendo. Deus tem uma oferta melhor. Quer que sejamos como Jesus.

 

Não são boas notícias? Você não está entalado em sua personalidade atual. Não está condenado ao “reino dos resmungões”. Você é maleável. Ainda que se tenha esmerado todos os dias de sua vida, não precisa esforçar-se exageradamente o resto de sua vida.

 

E daí se você nasceu  intolerante? Não precisa morrer assim. De onde tiramos a idéia de que não podemos mudar? De onde vêm afirmações como “A preocupação faz parte da minha natureza”, ou “Sempre fui pessimista. Eu sou assim mesmo”, ou “Tenho gênio ruim. Não posso evitar”.

Quem disse? Será que diríamos coisas similares a respeito do nosso corpo? “É minha natureza ter uma perna quebrada. Não posso fazer nada para evitar”. Com certeza não. Se nossos corpos funcionam mal, buscamos ajuda. Não deveríamos fazer o mesmo com nossos corações? Não deveríamos procurar ajuda para nossas atitudes azedas? Não podemos pedir tratamento para nossos ataques de egoísmo? Com certeza podemos; Jesus pode mudar nossos corações. Ele deseja que ganhemos um coração como o dEle.

Consegue imaginar uma oferta melhor?

 

O CORAÇÃO DE CRISTO

O coração de Jesus foi puro. Milhares adoravam o Salvador, porém Ele estava feliz com uma vida simples. Havia mulheres que o atendiam (Lc 8:1-3), contudo jamais foi acusado de pensamentos

luxuriosos; sua própria criação o desprezou, porém voluntariamente os perdoou, antes mesmo que pedissem misericórdia.

Pedro, que acompanhou Jesus por três anos e meio, o descreve como “um cordeiro sem mácula e sem contaminação” (1Pedro 1:19).

Depois de passar o mesmo tempo com Jesus, João concluiu: “não há pecado nEle” (1 Jo 3:5).

 

O coração de Jesus foi pacífico. Os discípulos se preocuparam como a necessidade de alimentar milhares de pessoas, mas Jesus não. Agradeceu a Deus pelo problema. Os discípulos gritaram de medo diante da tempestade, mas Jesus não. Ele dormia.

Pedro levantou sua espada para enfrentar os soldados, mas Jesus não. Jesus levantou sua mão para curar. Seu coração tinha paz. Quando seus discípulos o abandonaram, Ele se zangou e foi embora? Quando Pedro o negou, Jesus perdeu a paciência?

 

Quando os soldados cuspiram no seu rosto, vomitou fogo sobre eles? Nem pensar. Tinha paz. Os perdoou. Recusou a se deixar levar pela vingança.

 

Também recusou se deixar levar por nada que não fosse seu chamado do alto. Seu coração estava cheio de propósitos. A maioria das vidas não se planejam para nada em particular, e nada conseguem. Jesus se planejou para uma única meta: salvar a humanidade de seus pecados. Pôde resumir sua vida com uma frase: “o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia

perdido” (Lc 19:10).

Jesus se concentrou de tal modo na sua tarefa que soube quando devia dizer: “Ainda não é chegada a minha hora” (Jo 2:4, ACF) e quando “Está consumado” (Jo 19:30, ACF).

 

Mas não se concentrou em seu objetivo a ponto de ser desagradável.

Ao contrário. Que agradáveis foram seus pensamentos! As crianças amavam sua companhia. Jesus pôde achar beleza nos lírios, alegria na adoração e possibilidades nos problemas. Podia

passar dias com multidões de doentes e ainda sentir compaixão deles.

Passou mais de três décadas vadeando entre o lodo e o lamaçal de nosso pecado, e ainda assim viu em nós suficiente beleza para morrer pelos nossos erros.

Mas o tributo que coroa a Cristo é este: seu coração foi espiritual. Seus pensamentos refletiam sua íntima relação com o Pai. “Estou no Pai, e o Pai em mim”, afirmou (Jo 14:11, ACF).

Seu primeiro sermão registrado começa com as palavras: “O Espírito do Senhor é sobre mim” (Lc 4:18, ACF). Era “conduzido Jesus pelo Espírito” (Mt 4:1, ACF), e estava “cheio do Espírito Santo” (Lc 4:1, ACF). Do deserto voltou “pela virtude do Espírito” (Lc 4:14, ACF).

 

Jesus recebia suas instruções de Deus. Era seu hábito ir adorar (Lucas 4:16). Era seu costume memorizar as Escrituras (Lucas 4:4). Lucas diz que Jesus “retirava-se para os desertos, e ali orava” (Lc 5:16, ACF). Seus momentos de oração o guiavam. Uma vez regressou depois de orar e anunciou que era tempo de passar para outra cidade (Mc 1:38). Outro tempo de oração resultou na seleção dos discípulos (Lc 6:12-13). Jesus era guiado por uma mão invisível. “Tudo quanto ele [o Pai] faz, o Filho o faz igualmente” (Jo 5:19, ACF). No mesmo capítulo afirmou: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo” (Jo 5:30, ACF).

O coração de Jesus foi espiritual.

 

O CORAÇÃO DA HUMANIDADE

Nossos corações parecem estar muito longe do de Jesus. Ele é puro; nós somos cobiçosos. Ele é pacífico; nós somos veementes. Ele é cheio de propósitos; nós nos distraímos. Ele é agradável; nós somos rebeldes. Ele é espiritual; nós nos apegamos a esta terra. A distância entre nossos corações e o dEle parece ser imensa. Como poderemos sequer pensar em ter o coração de Jesus?

 

Preparado para uma surpresa? Já o tem. Você já tem o coração de Cristo. Acha que eu brincaria assim neste assunto? Se você está em Cristo, então já tem o coração de Cristo. Uma das promessas supremas, e da qual nos apercebemos, é simplesmente esta: se você entregou sua vida a Jesus, Jesus se deu a si mesmo. Fez do seu coração a sua morada. Seria difícil dizer isso de uma forma mais concisa do que Paulo: “Cristo vive em mim” (Gl 2:20, ACF).

Mesmo correndo o risco de ser repetitivo, me permita voltar a dizer: se você já entregou sua vida a Jesus, Ele mesmo se deu a você. Mudou-se para sua vida, desempacotou sua bagagem e está pronto para mudá-lo “de glória em glória na mesma imagem” (2 Co 3:18, ACF). Embora pareça estranho, os que cremos em Cristo na verdade temos dentro de nós uma porção dos mesmos pensamentos e mente de Cristo: “quem conheceu a mente do Senhor para que possa instruí-lo? ” Nós, porém, temos a mente de Cristo.
1 Coríntios 2:16).

Estranho é a palavra. Se tenho a mente de Jesus, por que ainda penso tanto como eu? Se tenho o coração de Jesus, por que ainda tenho as manhas de Denison? Se Jesus mora em mim, por que ainda detesto os engarrafamentos de trânsito?

Parte da resposta está ilustrada na história de uma senhora que tinha uma casinha perto de uma praia na Irlanda, no princípio do século. Era bem acomodada, porém também muito frugal. Por

isso as pessoas se surpreenderam quando decidiu ser uma das primeiras a ter eletricidade em sua casa.

Várias semanas depois da instalação, um funcionário chegou à sua porta para ler o medidor. Perguntou-lhe se a eletricidade estava funcionando bem, e ela assegurou-lhe que sim.

— Poderia me explicar uma coisa? — disse o homem —. Seu medidor indica que não usou quase nada de eletricidade. Você está usando-a?

— Mas é claro — respondeu ela — Todas as noites, ao pôr-do sol, ligo as luzes enquanto acendo as velas; depois as desligo.

Tinha instalado a eletricidade, mas não a utilizava. Sua casa tinha as instalações, mas não havia acontecido nenhuma mudança. Nós não cometemos o mesmo erro? Nós também, com nossas almas salvas mas com corações sem mudança, estamos conectados, mas sem alteração alguma. Confiamos em Cristo para a salvação, mas resistimos à transformação. Ocasionalmente ligamos o interruptor, mas na maior parte do tempo nos conformamos com as trevas.

Que aconteceria se deixássemos a luz acessa? Que aconteceria se não só ligássemos o interruptor, mas que vivêssemos na luz? Que mudanças sucederiam se nos dedicássemos a viver sob o brilho de Cristo?

Na há dúvidas a respeito: Deus tem um plano ambicioso para nós. O mesmo que salvou sua alma deseja refazer seu coração.

Seu plano é nada menos que uma transformação total: Paulo diz que desde o princípio Deus decidiu moldar as vidas dos que o amam, de acordo com a forma de seu Filho (veja Romanos 8:29).

Você se revestiu “do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”

(Colossenses 3:10, ACF).

Deus está disposto a mudar-nos à semelhança do Salvador.

Aceitaremos sua oferta? Eu sugiro o seguinte: Vamos imaginar o que significa ser como Jesus. Fitemos “os olhos em Jesus” (Hb 12:2, PJFA). Talvez ao fitá-lo,

vejamos o que podemos chegar a ser: livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé”. Hebreus 12:1,2

“Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também” Colossenses 3:13

 

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