O ADVENTO DO MESSIAS – ALIANÇA

O credo em que se baseava a fé de Israel, no qual se confessa Javé como seu Deus, configurava uma aliança de Deus com um grupo que nada representava na história da humanidade. Trata-se de uma aliança protetora e salvadora que ignorava as grandes forças, grandes povos, culturas políticas expressivas do mundo de então.

 

“Mas tu, Belém-Efrata, embora sejas pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos. “ Miquéias 5:2

 

[não importa nosso local de nascimento, importa se pertencemos à única nação eterna: Igreja]

 

NATAL É TEMPO DE OLHAR PARA ALÉM DAS CIRCUNSTÂNCIAS

Mesmo assim, devido à desobediência do povo em seguir as determinações de Deus, o povo esteve em muitas situações afligido pelas forças dominadoras deste mundo.
Por várias vezes Deus levantou profetas para falar ao povo sobre esperança, volta por cima, estabelecimento de uma nova ordem. Em um desses momentos, Deus indica, como citado em Isaías 42, a necessidade de um mediador, na figura de um Servo do Senhor. No tempo em que este poema foi escrito, a nação se encontrava arrasada, desanimada, sem esperança de rever a sua terra. Os israelitas haviam sido levados como cativos e na Babilônia parecia que iam encontrar seu fim. Nem ao menos a lembrança dos grandes feitos de Javé, no passado, incutia nos cativos a esperança de libertação.

 

“Eis o meu servo, a quem sustento, o meu escolhido, em quem tenho prazer. Porei nele o meu Espírito, e ele trará justiça às nações. Não gritará nem clamará, nem erguerá a voz nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça; não mostrará fraqueza nem se deixará ferir, até que estabeleça a justiça sobre a terra. Em sua lei as ilhas porão sua esperança. ”
É o que diz Deus, o Senhor, aquele que criou o céu e o estendeu, que espalhou a terra e tudo o que dela procede, que dá fôlego aos seus moradores e vida aos que andam nela: “Eu, o Senhor, o chamei em retidão; segurarei firme a sua mão. Eu o guardarei e farei de você um mediador para o povo e uma luz para os gentios, para abrir os olhos aos cegos, para libertar da prisão os cativos e para livrar do calabouço os que habitam na escuridão. “Eu sou o Senhor; esse é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem a imagens o meu louvor. Vejam! As profecias antigas aconteceram, e novas eu anuncio; antes de surgirem, eu as declaro a vocês”.
Isaías 42:1-9

 

O Servo é o escolhido em quem descansa o favor de Deus. Cheio do Espírito divino, sua
tarefa será a de trazer a justiça de Deus a todos os homens. Ao levar a cabo a sua missão
como mediador da justiça de Deus às nações, o servo é chamado a ser um agente da paz e
da não-violência.

– A aliança não seria mais com um povo ou uma linhagem, mas com todo o coração onde habita a fé.

– As batalhas seriam espirituais e não bélicas.

 

 

NATAL É TEMPO DE LEMBRAR-SE: DEUS NOS HABITA

Num outro momento, o profeta Jeremias também teve papel importante, com a tarefa terrível de anunciar o julgamento de Deus sobre a nação infiel, sendo até acusado de traidor.
Porém Deus inspira Jeremias à visão de uma nova aliança a ser estabelecida entre o Senhor e o homem, como em Jr. 31. E o profeta é claro: a nova aliança é bem diferente da antiga que o povo por sua infidelidade anulou. A nova aliança não se estabelece através de leis escritas mas por uma volta real do homem para Deus de tal sorte que a vontade do Criador se torna conhecida de todos os seus filhos já no coração. A promessa é de perdão de todos os seus pecados e até mesmo de esquecimento deles:

 

“Virão dias”, diz o Senhor, “em que semearei na comunidade de Israel e na comunidade de Judá homens e animais. Assim como os vigiei para arrancar e despedaçar, para derrubar, destruir e trazer a desgraça, também os vigiarei para edificar e plantar”, declara o Senhor. “Naqueles dias não se dirá mais: ‘Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se mancharam’. Ao contrário, cada um morrerá por causa do seu próprio pecado. Os dentes de todo aquele que comer uvas verdes se mancharam.
“Estão chegando os dias”, declara o Senhor, “quando farei uma nova aliança com a comunidade de Israel e com a comunidade de Judá”. “Não será como a aliança que fiz com os seus antepassados quando os tomei pela mão para tirá-los do Egito; porque quebraram a minha aliança, apesar de eu ser o Senhor deles”, diz o Senhor. “Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias”, declara o Senhor: “Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Ninguém mais ensinará ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo: ‘Conheça ao Senhor’, porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior”, diz o Senhor. “Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados.”
Jeremias 31:27-34

 

NATAL É TEMPO VIVER COM ALEGRIA BASEADA NA FÉ

A chegada de Jesus ao mundo, embora revestida de todas as circunstâncias narradas nos
Evangelhos, foi, no fundo, a chegada de uma criança nascida de mulher, nascida sob a lei,
como prometido em Isaías 7.14 e 9.1-7. Uma criança que cresceu, aprendeu a língua falada do seu povo, que “crescia em estatura, sabedoria e graça”. Uma criança israelita, um país que estava sob o poder de Roma.

Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel. Isaías 7:14

 

O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz. Fizeste crescer a nação e aumentaste a sua alegria; eles se alegram diante de ti como os que se regozijam na colheita, como os que exultam quando dividem os bens tomados na batalha. Pois, tu destruíste o jugo que os oprimia, a canga que estava sobre os seus ombros, e a vara de castigo do seu opressor, como no dia da derrota de Midiã. Pois, toda bota de guerreiro usada em combate e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, como lenha no fogo. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso, Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso. Isaías 9:2-7

 

Foi este o mundo no qual Jesus nasceu. Ao conhecer os detalhes históricos e geográficos
que cercaram o Seu nascimento, fica mais uma vez assegurada que a promessa de Deus
não se cumpriu apenas em corações humanos, mas em atos concretos e históricos, que
marcam objetivamente a revelação de Seu interesse e amor pela humanidade.

 

” ‘Dias virão’, declara o Senhor, ‘em que cumprirei a promessa que fiz à comunidade de Israel e à comunidade de Judá. ” ‘Naqueles dias e naquela época farei brotar um Renovo justo da linhagem de Davi; ele fará o que é justo e certo na terra. Naqueles dias Judá será salva e Jerusalém viverá em segurança, e este é o nome pelo qual ela será chamada: O Senhor é a Nossa Justiça’. Jeremias 33:14-16

 

NATAL É CHAMADO A ILUMINAR

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.
Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.
Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.
Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.
Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
João 1:1-14

 

Mas a forma como o Messias é apresentado por João no seu evangelho, como em Jo. 1.1: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós…”, fugindo do apelo narrativo envolvendo anjos, pastores, magos, estrebaria e outras coisas comuns citadas por Mateus e Lucas, reflete uma visão profunda do reconhecimento da presença de Deus em Jesus.

Ao se ler o texto de Jo. 1.1-14, cinco declarações a respeito do Verbo são identificadas.
Primeiramente o texto afirma que o Verbo era desde o princípio. Como se sabe, a palavra “verbo” era usada já entre os gregos e os judeus. Para os primeiros ela possuía o sentido de Razão. Entre os judeus, a palavra designava a maneira pela qual Deus age no meio dos homens. João declara, portanto, que esta palavra era uma realidade desde o princípio. É importante ressaltar que o evangelista não diz: “No princípio existia o verbo”; ele diz “era”. Existir dá sempre a ideia de algo quem tem realidade no tempo e no espaço, mas que é contingente, isto é, hoje tem existência mas amanhã desaparece. Dizendo “era” o evangelista quis dizer que o Verbo é eterno.
A segunda afirmativa é a de que o Verbo estava com Deus. Aqui ele caminha mais um passo ao declarar a plena comunhão entre Deus e o Verbo. Sem separação. Ao contrário, o Verbo se mantinha junto a Deus.
Na terceira declaração, João faz uma afirmativa surpreendente: o Verbo, o mesmo que em alguns versículos mais a frente se dirá ter tornado carne, é ele mesmo Deus. Explica-se porque o Verbo estivesse com Deus: ele é Deus. Assim a eternidade e a plena comunhão do Verbo com Deus são agora estabelecidas definitivamente por João quando declara que ele, na realidade, participa da própria divindade.
O Verbo é o agente de Deus na criação. Foi ele quem fez todas as coisas. Coisa alguma de que existe veio à luz sem a ação criadora de Deus que o Verbo expressa. Assim o Redentor que vem ao mundo participou também da criação, sendo ele mesmo o instrumento desta atividade criadora de Deus.
Por último, João declara que o Verbo possuía a chave da vida, a qual era a luz dos homens.
Não apenas o criador das coisas inanimadas, o Verbo é também o doador da vida, o comunicador do espírito vivente. Não se pode deixar de recordar aqui de que em Gênesis o homem perde, por assim dizer, a sua vida, ao pecar. Deus lhe diz que se desobedecer morrerá. E realmente Paulo dirá mais tarde que os pecadores perderam a vida, que era a sua luz, estando mortos em seus delitos e pecados.
Diante dessas qualificações, a identificação de Jesus como o cumprimento das promessas de Deus se encaixa perfeitamente no tamanho da responsabilidade que o Servo do Senhor teria na missão de salvar a humanidade de seus maus caminhos.

 

 

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